Campos de Cima da Serra abrigam um dos últimos refúgios do lobo-guará no Sul

O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), símbolo do Cerrado brasileiro, também ocorre nos Campos de Cima da Serra, região que marca um dos limites mais ao sul de sua distribuição. Essa paisagem de campos naturais de altitude, banhados e áreas de transição com a Mata de Araucária, no Bioma Mata Atlântica, oferece condições importantes para alimentação, deslocamento e reprodução da espécie.

Foto: Juliana Martins

No Rio Grande do Sul, o lobo-guará é classificado como Criticamente em Perigo de Extinção, e sua ocorrência ainda é rara. Atualmente, Cambará do Sul é o único município gaúcho com registros recorrentes, o que permitiu a implantação do primeiro monitoramento sistemático da espécie no estado. Esse cenário evidencia a importância da região para a conservação do lobo-guará no Sul do Brasil.

Adaptado a ambientes abertos, o lobo-guará utiliza os campos para caça e deslocamento, enquanto bordas de mata e banhados oferecem abrigo e descanso. A espécie desempenha papel ecológico relevante como controladora de pequenos vertebrados e, em parte de sua distribuição, como dispersora de sementes. No entanto, no Sul do país, ainda há lacunas sobre sua dieta, já que a principal fruta consumida no Cerrado não ocorre naturalmente na região.

Entre as principais ameaças estão a perda e fragmentação de habitat, os atropelamentos em rodovias, conflitos com atividades humanas e a transmissão de doenças por cães domésticos. A expansão de áreas agrícolas e a redução de ambientes naturais contínuos aumentam a vulnerabilidade da espécie e dificultam sua sobrevivência a longo prazo.

Foto: Juliana Martins

Nos últimos anos, projetos de monitoramento em Cambará do Sul, realizados em propriedades rurais e no Parque Nacional da Serra Geral, têm gerado resultados positivos. O uso de armadilhas fotográficas permitiu registrar diferentes indivíduos e confirmar o nascimento de filhotes, indicando sucesso reprodutivo e subsidiando o entendimento sobre aspectos ecológicos da espécie. A análise de fezes contribuiu para a compreensão das áreas de uso e deverá fornecer informações importantes sobre a dieta do lobo-guará no Rio Grande do Sul.

Foto: Juliana Martins

educação ambiental tem sido fundamental nesse processo. Iniciativas como o projeto O Lobo-guará vai à Escola ajudam a desconstruir mitos, promover informação científica e estimular uma convivência mais consciente entre comunidades locais e fauna silvestre.

Foto: Juliana Martins

A conservação do lobo-guará nos Campos de Cima da Serra depende de ações simples e coletivas: respeitar a fauna, dirigir com atenção, manter animais domésticos sob controle e apoiar projetos de pesquisa e educação ambiental. Proteger o lobo-guará é também proteger os campos naturais e o equilíbrio ecológico de uma das paisagens mais singulares do Sul do Brasil.

Além das ações de educação ambiental, também buscamos patrocinadores para o projeto de pesquisa. Pessoas ou empresas interessadas podem entrar em contato conosco. Outra forma de apoio é acompanhar e fortalecer nosso trabalho pelas redes sociais @tecniflora e @institutoguarabaio, onde compartilhamos informações técnicas e educativas, onde curtir, comentar e compartilhar já faz muita diferença. Também contamos com produtos exclusivos do Guarabaio à venda, cuja renda contribui para a abertura e manutenção do Instituto (ONG) e para a continuidade das iniciativas de educação ambiental, pesquisa científica e conservação da fauna nos Campos de Cima da Serra.

Foto: Juliana Martins

Segue o link de um registro feito por um colaborador da concessionária do Parque Nacional da Serra Geral. 

Instituições: Tecniflora Assessoria e Planejamento Florestal Ltda., Instituto Guarabaio e Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS).

Endereço para acessar o CV: http://lattes.cnpq.br/5974122885794094

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